PASTORES ANCIÃOS NAS IGREJAS DO NOVO TESTAMENTO

David Cloud

O seguinte enxerto é proveniente de Thomas Armitage "Uma História dos Batistas" (Londres: Bryan, Taylor & Co., 1890)
Os pastores ou guias das igrejas apostólicas eram conhecidos como PRESBÍTEROS, OU ANCIÕES, de presbuteros; e como bispos, ou supervisores, de episkopos. Este fato devia estar em sua própria ordem de
Tempo no Novo Testamento; se tiramos isso fora de seu contexto histórico e lançamos para trás ou adiante em outro século, perderá seu valor distintivo. O decano Alford diz, com clara verdade cronológica: "Naqueles dias esses títulos surgiam fora da realidade e não eram classificações meramente hierárquicas." Em questão tal como essa, a cronologia é a lógica mais robusta. Então, devemos considerar e restringir esses títulos ao sentido primitivo deles, bem como definindo o ofício que eles representam. Eles são completamente sinônimos no Novo Testamento e a natureza do ofício que eles representam será tirado do significado reconhecido que possuem.

Pastores apareceram em todas essas igrejas logo depois de sua organização, e os cristãos hebreus os chamaram presbíteros (anciões) enquanto as igrejas gentílicas os chamaram bispos (supervisores), os termos são permutáveis. Os líderes ou administradores das sinagogas eram chamados presbíteros, mas eles não eram protótipos dos presbíteros cristãos e quase nada havia em comum entre os dois. A sinagoga não pode em nenhum sentido se tornar o exemplo da Igreja Cristã para a qual foi constituída para um diferente
propósito, e demandou uma forma mais livre e mais independente e em harmonia com o caráter do ensino gracioso de Cristo.

Cada um sabia qual grupo se referia a Igreja Cristã quando seus "anciões" falavam sobre isso.
Mas os gentios que não estavam familiarizados com a peculiaridade dos títulos judeus e suas instituições, não puderam ser tão receptivos a um conhecimento deste ofício espiritual pelo uso da palavra, quando estabelecido isoladamente e não explicado.
A eles, o termo ancião expressava idade, mas pouco de aptidão ou grau.
Outro termo estava em uso entre os gregos que exatamente expressava os deveres do presbítero cristão, era a palavra episkopos, supervisor. Para eles era puramente um nome civil e secular que era usado em associações privadas, ou em nível municipal e na área da magistratura. Os superintendentes de finanças, de trabalhadores, os supervisores de produção e de negócios públicos geralmente eram designados por este termo. Na realidade, todas as pessoas que tinham chefia de negócios, públicos ou privados, eram conhecidos como bispos. Por essa razão a mesma classe de homens em que eram conhecidos como anciãos nas igrejas judaico-cristãs eram chamado de bispos, ou supervisores nas igrejas gentílicas.

Os deveres dos bispos-anciões era alimentar e administrar o rebanho de Cristo como pastores, orientando, instruindo e vigiando. Paulo usa a palavra bispo primeiro em Mileto, quando ele encarrega os presbíteros da Igreja de Eféso a dar atenção ao rebanho sobre o qual o Espírito Santo tinha lhes posto como bispos. Aqui os dois nomes estão usados intercambiavelmente como descritivo da mesma coisa. Neste ponto
Neander observa:

"Que o nome era também de episcopus completamente sinônimo com o de presbítero, é claramente coletado das passagens da Bíblia onde são trocados ambos os títulos (Atos 20; compare verso 17 com verso 28; Tito 1:6-7), como também desses onde a menção do ofício de diácono segue imediatamente depois desse de 'episcopos', de forma que uma terceira classe de oficiais não pôde estar entre os dois. Fil. 1:1; I Tim. 3:1-8. Este intercâmbio dos dois títulos são uma prova da total concordância entre eles" [Hist. Christian Religion, sec. ii, 1]

Sobre o tipo de administração que estes bispos exercitavam, era somente executiva, e com a finalidade de edificação moral, em submissão a verdade que eles ensinavam, e não para o exercício de domínio. Assim longe de ser um exercício de poder pessoal, eles eram responsáveis para com a igreja local para a qual eles serviam por sua conduta como mordomos. Neander diz novamente: "Eles não eram destinados a serem como monarcas com poderes ilimitados, mas administradores e guias em uma república eclesiástica e administrar todas as coisa em conjunção com a igreja reunida, não como mestres, mas como servos dos quais eles desempenhavam o ofício" [Hist. Religião Cristã, i, pág., 193]

A congregação tendo primeiramente os tomados das classes comuns por sua própria ação democrática, como Atenas investiu seus oficiais com poderes administrativos antigamente, eles eram responsáveis pelo corpo que os criou para o exercício dos seus poderes.

Todo tipo de falsas pretensões estavam sendo dadas sobre a palavra "bispo", daquelas usadas pelos escritores do Novo Testamento. Mas Fil 1:1; Atos 20:17; e Tiago 5:14, partiram do fato que haviam vários bispos na mesma congregação, uma idéia que não se harmoniza com a suposição que um bispo tenha proeminência sobre um ancião, ou até mesmo um corpo de anciões. Então, I Pe 5:1-2, solenemente encarrega o "ancião" a usar bem as suas funções de epíscopo. Até mesmo mais tarde, na época de Jerônimo, em 331-370 D.C, esta unidade de ofício geralmente foi admitida nas igrejas, porque ele diz: "O ancião é idêntico ao bispo, e antes essas partes tinham se multiplicado assim sob influência diabólica, as igrejas eram governadas(significando cada igreja) por um conselho de anciões".

Nem eram os tão chamados "poderes" de Timóteo e Tito em qualquer sentido desses clérigos modernos. Eles somente tinham as funções de evangelistas missionários. Estes homens santos foram enviados para estabelecer igrejas fracas já plantadas, e organizar novas, como a mesma classe de homens que hoje trabalham sem autoridade eclesiástica. Tampouco Tiago assumiu autoridade depois em Jerusalém na forma de um moderno bispo diocesano. Ele atingiu maior influência do que outros pastores simplesmente por sua total consagração a Deus e pela alimentação de seu rebanho, como pastor santo sobre aquela única congregação. Em associação com os da mesma categoria de anciãos daquele corpo, eles sagradamente vigiaram seus interesses como uma fraternidade. Perseguições estavam incessantemente atingindo essa e outras igrejas e era uma das coisas que faziam essa pluralidade de anciões na mesma congregação necessária. O primeiro ataque geralmente era apontado aos anciões, como os cabeças oficiais dessas comunidades. Alguns deles eram humilhados, outros obrigados a fugir por causa de ameaças as suas vidas, e as melhores igrejas estavam com seus grupos destruídos especialmente em cidades grandes, mesmo assim eles tinham o dever de ministrar quando e onde podiam. Quando os anciões se encontravam para as reuniões, em tempo de paz ou em perseguição, alguém tinha que presidir as reuniões; e quem assim fazia, simplesmente agia como semelhante aos seus irmãos, sem autoridade sobre eles, enquanto ele era um bispo, cada um dos seus irmãos era o mesmo. Deste modo Tiago fez em Jerusalém, nem mais nem menos.

Novamente, o que era conhecido como o presbitério nas Igrejas Apostólicas não era composto de um corpo de anciões, ou pastores vindos de várias igrejas locais para um tipo de "presbitério da Bíblia", como Dr. Carson diz, "é o presbitério, ou pluralidade de anciões em uma congregação particular." [Answer to Ewing, p. 382]

Não há absolutamente nada no Novo Testamento que dê margem a esses que regem uma igreja exercer qualquer autoridade sobre outra; e mais, nenhuma igreja é mencionada como tendo, mas um bispo ou ancião. Estes não tiveram nenhum poder fora da sua própria congregação, e nenhuma distinção existe entre os anciões pastorais e anciões governantes.

Dr. George Campbell e Neander mostraram claramente que os anciões em uma igreja eram todos administradores, para a liberdade, edificação, e proveito do corpo, e que nenhuma classe ou distinção existiam entre eles. Tinham sido duas classes, as suas qualificações tinham diferido com os seus deveres e assim eles teriam sido designados por nomes diferentes.

Nenhum ancião é dito que não era administrador, que não eram pastores, mas todos os pastores eram conhecidos como anciões. Lemos de "todos os anciões em Jerusalém", de "anciões de cada igreja" (não um ancião, singular); como em Derbe, Listra, Antioquia, e outros lugares. Em Listra, Paulo se encontrou com Timóteo, e provavelmente foi lá que "as mãos do presbitério" foram postas nele. Não as mãos de presbíteros de várias igrejas locais; mas, no idioma de Dr. Samuel Davidson: "Os anciões estavam estabelecidos em uma única igreja congregacional." [Cong. Lectures, 1848]

A frase, "o presbitério", como a frase, "o advogado", "o estadista", na classificação de homens significava cada presbitério na classificação do corpo de anciões nas várias igrejas. Carson, diz, que a palavra denota: "Um certo tipo de pluralidade de anciões. Representa declarada associação. Uma acidental ou ocasional reunião dos anciões de várias igrejas seria um encontro dos anciões, não do presbitério. A palavra denota ambos, a pluralidade e a união. O senado nem mesmo é uma pluralidade de senadores. . . . É admitido conceder este tipo de expressão, que é definido como um bem conhecido corpo de homens que agem em associação. Como não há nenhuma associação entre os anciões de diferente igrejas, deve ser os anciões de uma igreja em particular." [Ans. for Ewing.]

Mas acima de todas as presunções absurdas, está a que faz o bispo dos tempos modernos o sucessor dos apóstolos. Quando eles morreram não designaram ninguém para ocupar os seus lugares, pois seu ofício era peculiar e estava conectado somente com o plantar igrejas apoiando os ensinos de Cristo e suas exigências; a missão deles estava sendo confirmada pelos dons especiais do Espírito Santo. Tudo isso era indispensável para o padrão de fé e prática que estava sendo estabelecido nos livros inspirados; eles mesmos, por hora, ocuparam o lugar desses escritos, como os instrumentos escolhidos do Espírito. Então, eles eram os únicos guias autorizados para as igrejas, por quem a vontade de Cristo era comunicada. Pelas suas línguas e penas o Espírito deu suas direções e decisões, e eles são agora exatamente o que as igrejas de sua época os reconheceram; o Novo Testamento provido no lugar deles como o canal pelo qual o Espírito agora fala com as Igrejas.

Esses que insinuam um episcopado diocesano nas igrejas do Novo Testamento pensam que acham lugar seguro na frase "anjo da igreja" (angelos) que simplesmente é um mensageiro. Em Mat. 11:10, o próprio Jeová chama João Batista, "meu anjo", (o mensageiro), e em troca, João os chama os seus próprios mensageiros a Cristo de "anjos" (Lc 7:18-24). Mas eram estes protótipos dos modernos prelados? Até mesmo o espinho na carne de Paulo é chamado por ele de um "anjo, mensageiro de Satanás" (2 Cor. 12:7). Assim, as sete cartas para as igrejas em Ap. 2-3, insinuam que os anjos das igrejas era alguma pessoa enviada de cada uma delas em uma missão temporária, e escolhido pela própria igreja para aquela missão. Cada uma das igrejas tinha seu mensageiro separado; só não havia um anjo para as sete, depois da instauração do moderno episcopado. Tal causa deve ser difícil de impor, deitar mãos violentas nesta parte do Apocalipse em defesa de tal inovação.

Patmos onde o apóstolo João escreveu este livro, não era longe das sete igrejas da Ásia, e era natural que o prisioneiro santo deveria pedir a cada uma delas para enviar algum mensageiro fiel que deveria receber dele pessoalmente a mensagem que ele teve de Cristo para enviar a eles separadamente. O apóstolo Paulo enviou as suas epístolas para as igrejas da mesma maneira e cada mensageiro que os levou era então capaz de provar que elas não eram falsificações. E, agora, esses eram os únicos meios ao alcance de João para enviar as revelações de Cristo para as igrejas, através de mãos confiáveis. É surpreendente então, que Jesus deveria instruir o seu servo preso escrever a mensagem para uma igreja e confiá-la para estes mensageiros individuais? A confiança que o Salvador depositou neles os designou serem chamados "sete estrelas", cada suporte de luz para cada uma das sete igrejas do qual eles eram "representavam sete lâmpadas" estabelecidas para iluminação ao redor dele. Estas igrejas não estavam privadas de luz necessária porque João era um prisioneiro. Mas Jesus provou a eles por estas sete epístolas, que Ele ainda os segurava como estrelas na sua destra e não tinha mudado sete vezes o seu cuidado para um episcopado, mas manteve para cada um deles uma mensagem separada, para ser trazido a eles por sete mensageiros fiéis, como sete congregações separadas que apesar das suas faltas ainda eram queridas para o Deus soberano.

Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
Fonte: site way of life

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